A literatura pode mudar sua vida






Posso dizer que, em certo ponto, tive a grande sorte de ser incentivada a ler desde pequena. Minha mãe tinha uma frase desafiadora, que mesmo criança, eu pensava: “Ei, faz sentido. Vou guardar aqui dentro da minha cabecinha”. Bem, mas qual é essa tal frase, você deve estar pensando?

Lá vai: “Quando a pessoa achar um livro que fale com ela, aí vai poder parar de dizer que não gosta de ler”.

DAÍ, O QUE FIZ?

Vou te contar, comecei a procurar por essa tal obra que falasse comigo. Afinal, me pareceu que eu estava perdendo alguma coisa de muito divertida por ainda não ter tido essa “conversa”com a literatura.

Porém, antes de me alfabetizar, minha mãe lia para mim as fábulas infantis, além de comprar livros que vinham com fita cassete (sim, fita cassete, ué. Oras, sou uma millennial!) que narravam tudinho (puxa, tecnologia de ponta) e avisava o momento certo de virar a página. E não é o máximo? Afinal, mesmo sem saber ler, podia entrar naquele universo, sabe, é quase como ser membro de um clube muito, mas muito, exclusivo.

PRESSA PARA ENTRAR NO CLUBE

Fui uma criança que comprava gibis somente pelas gravuras, porque também tinha veia artística e rabiscava os cadernos da escola (inclusive os de meus irmãos. #rebeldia!). E lembro-me de ter pressa para ler e saber como aqueles livros, que eu só namorava a capa, eram por dentro.






MECENAS

Bom, mas chegou o tão aguardado momento em que aprendi a ler (posso ouvir um aleluia? rsrs). Foi como subir um novo degrau, ou passar de fase no video game – e quem jogava games na década de 90 sabe o quão eram desafiadores.

Passei a comprar livros na banca de jornal perto de casa, inicialmente, livros de terror.

Era de uma série chamada Goosebumps, que na tradução significa “Arrepios”. O primeiro que li foi A Máscara Maldita, mas não achei tão arrepiante assim. Todavia, as histórias me divertiam bastante, pois tinham como público-alvo os adolescentes e pré-adolescentes. Eu aguardava com imensa ansiedade pelo próximo número.

Além dessa série, eu lia – ainda comprando na banca, pois minha cidade não tinha livraria –, aqueles livros de romance das coleções Julia e Sabrina. Alguém aí dessa época? Tudo bem, não posso dizer que eram o tipo de literatura mais apropriada para minha faixa etária, mas era o que eu encontrava de livro, e para ler, me bastava naquele momento.

O dono da banca era um homem gentil que ficava surpreso por ver uma jovenzinha lendo tanto, e claro, sendo uma fiel cliente. Pois eu também consumia as revistas “mulherzinha”, como, por exemplo: Capricho e… mais algumas outras aí, que não lembro agora.

Então, o seu Orlando (que na verdade se fala Rolando, pois ele era boliviano – embora o nome seja de origem Germânica, enfim rsrs), passou a me doar livros e revistas que seriam devolvidos à distribuidora, ou que ficavam encalhados na virada de cada mês. Ele nunca disse declaradamente, mas acho que tinha orgulho de ver aquela pequena consumidora fazendo algo tão surreal quanto “ler”. Considero o seu Rolando/Orlano meu segundo mecenas na literatura, pois o primeiro é minha mãe, certamente (oi, manhê!, se estiver lendo isso!).

UM E.T. QUE LÊ

Como você pode notar, pessoas que leem causam espanto, não é mesmo? Quer dizer, olha só você nesse exato momento lendo esse artigo (risos). Parabéns, viu! Já fazes parte de um grupo minoritário.

O dono da banca ficava impressionado ao me ver gostar de ler, e hoje, fico surpresa quando vejo alguém lendo no transporte público. É sempre uma cena rara. Principalmente nos dias atuais, em que todos estão tão ocupados acompanhando os feeds dos influencers e afins.

No entanto, tecnologia é tema para outro artigo. Mas preciso dizer, ou melhor, escrever o seguinte: aquela garotinha que tinha pressa para aprender a ler realizou esse pequeno sonho e passou a ler muito. Posteriormente, leu mais, e mais posteriormente ainda, leu autores inspiradores e até escreveu seus próprios livros. E isso também fica para outro artigo!

Resumindo, meu amigo, ler pode mudar a sua vida porque te faz mais exclusivo, mais letrado e mais articulado. Pode até despertar um potencial autor, vai saber. Eu torço por isso, combinado?!

E, claro, ler pode mudar a sua vida porque vai te deixar inquieto pelo próximo volume daquela série gigante, de trezentos exemplares e tal. Vai te tirar o sono porque a história de terror era mesmo bem mais medonha do que você imaginava. E posso até vê-lo indo de madrugada ao banheiro levando consigo o bichinho de estimação para te proteger do poder das trevas. Mas também posso te ver sendo esse E.T. incrível, e que, muitas vezes, não tem com quem conversar sobre a mais recente leitura terminada. E vejo seu coração partido devido a tantas personagens apaixonantes.

Bem, ler é tudo isso e muito mais. E pode ser a coisa mais incrível que fará hoje. Pode te deixar meio sem grana, porque haja dinheiro para comprar tudo que nos interessa. Mas ler é a melhor fantasia de todas, porque é a sua mente junto a do autor, e nesse filme, os atores têm o rosto que sua mente preferir. Você é o leitor, mas é também um pouco criador. E é incrível essa mágica.

Nunca haverá livros o suficiente para serem lidos, e esse é o melhor detalhe.

Ler muda tudo, faz toda diferença e, com toda certeza, é coisa de gente sexy!












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