Sobre postes e tabuleiros


“Lojas não são gentis com pessoas, são gentis com cartões de crédito”
Edward Lewis – personagem de Richard Gere em Uma Linda Mulher
Acaso você não possuir o figurino X na personagem Y do seriado ou novela (ou mesmo blogueira de moda) está por fora, certo?
Nope!!!
Recentemente me interessei por uma bolsa de marca. Não que a desejei por seu nome, na verdade, foi amor à primeira vista devido ao fato de ela ter parecido ser feita para mim. Sabe aquele objeto que te representa e se você usar é como ser única?
E é estranho como a mesma indústria que te veste e embeleza pode também te angustiar. Se podemos comprar, é lindo. Mas e se não podemos porque temos outras prioridades? Vem aquele sentimento de vazio e, aí, você vê a influencer fulana-de-tal ostentando aquela bolsa que não coube no teu orçamento.
Atualmente as mídias sociais potencializaram o desejo consumista. Lembro-me de quando era adolescente na metade dos anos 90 e comprava minhas revistinhas teen, poxa, era um acontecimento ir à banca para pegar a bíblia da moda jovem. Daí eu via as garotas superproduzidas nas páginas e sonhava com aquele estilo de vida. Mal sabia eu que esse excesso de estímulo visual estava me alimentando de frustração vindoura.
Não estou dizendo que comprar é errado, não é isso. Apenas quero expor uma reflexão sobre o ato da compra. Notem como as fotos de viagens e comportamento dos influencers, amigos do Facebook e Instagram, etc, mexe com a cuca da gente. Ter é ser – já dizia Zygmunt Bauman: “Na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte”. Essa é a armadilha do mundo virtual, temos de parecer ser/ter/sentir/, ou seja, é preciso estar visível, ostentar na vitrine da rede.
O dilema é que toda essa história de estética já nos é apresentada desde criança, no meu caso, com a Barbie. Não me leve a mal, eu adoro a boneca e até sigo seu Instagram Oficial e tenho algumas edições de colecionador da ícone de plástico, maaas... percebo que fui direcionada ao caminho das aparências bem cedo.
Passaram os anos e pouco ou nada mudou. O cenário visual pipoca por todos os lados. Não sei, não - no tabuleiro as regras chegaram antes de nós.
Nesse mundo invertido em que estamos, é o poste quem faz xixi no cachorro.




0 Comentários:

Postar um comentário

Quer adquirir meus livros?

ENTRE EM CONTATO COMIGO