Meu eu retrógrado


Tudo começou com um blazer branco. Achar uma peça específica pode ser uma aventura, e a minha teve início esses dias. Queria muito achar aquele blazer off-white perfeito, e isso inclui acabamento, modelagem e, com toda certeza, preço justo. Sou fã de algumas marcas de roupas, como boa fashionista que sou, infelizmente, meu bom gosto não cabe (sempre) na minha carteira. Mas, sou garimpeira e dou meus pulos para fazer boas aquisições. Hoje em dia estou seletiva nas compras – escolho a dedo meus itens-desejo. Foi assim com a área dos calçados em meu closet (eu não tenho closet, é mais um armário planejado com porta de correr meio apertado). Porém, agora eu precisava de um blazer branco e... tá, não precisava dele, – eu o queria! O que é diferente, mas não menos relevante.

Falei, falei e ainda não disse nada
Bom, daí fui em uma loja que gosto muito. Faço compras on-line, mas essa tal loja (que não precisa de mais merchan) acabara de inaugurar uma loja de unidade física e eu fui até lá como um viciado vai à biqueira (eita). Sabe, é muito simples, eu quis fazer essa compra do meu blazer-lindo-cândido-perfeito presencialmente porque, motivo 1: nunca compraria roupa sem experimentar, gosto de ver o caimento no meu corpo para evitar decepção; motivo2: fiquei com medo da garota que fica na administração do meu prédio, e que, entrega as correspondências aos moradores, me julgar meio consumista... coisa que não sou, juro. Pergunte ao meu marido! Na verdade, não pergunte. Acredite na minha palavra!!!
Enfim, fui a citada loja, digo, não citada (vocês me entenderam) e fiquei surpresa de saber que não poderia levar a compra na hora. Em um primeiro momento fiquei frustrada, embora não tivesse a peça na cor branca, provei na versão preta e ficou perfeito. Ligeiramente afrontada pela limitação do compre-e-receba-depois, falei à vendedora que gostaria de dar mais uma rodada pelo shopping, a fim de encontrar o tal blazer dos infernos sem ter de esperar pelo entregador e, certamente, sem me submeter ao juízo da garota das correspondências do meu prédio.
E lá fui eu. Visitei algumas das lojas que, geralmente, tem coisas lindas que meu bolso não pode custear. Há de se compreender, estamos em crise no Brasil. Eu iria para a Cornwall, na Inglaterra, mas tenho três gatos amados que precisariam ir comigo. Por enquanto, a Inglaterra vai ter que sobreviver sem mim. E parecia que minha tarde de busca pelo blazer-lindo-cândido-perfeito estava fadada ao fracasso. O pouco que consegui encontrar não estava à altura de minhas expectativas, ou, não tinha meu número, ou estava meio sujo de tantas outras garotas que experimentaram a peça antes de mim.
Daí, decidi que compraria na loja high-tech mesmo. Entro novamente na biqueira fashionista e sou recebida pela vendedora que me atendeu outrora. Eu reclamo um pouco por não poder levar minha compra imediatamente e ela me diz que eu preciso ser moderna. Não quero ser moderna, sou dessas pessoas que assiste filmes e séries dos anos 60 e 70. Usa jeans vintage e frequenta brechós. Oras, porque a modernidade não se adéqua a mim? Dou um sorriso amarelo para a garota loura oxigenada que me encara profissionalmente (e sério, meu sorriso é amarelo mesmo, de tanto café) digo que vou fechar a compra de uma vez por todas. Começa todo um ritual de acessar minha conta virtual da tal loja, redefinir uma nova senha, pois esqueci da dita-cuja, e pagar. Mas espere, estou com a grana em espécie nas mãos quando sou informada que o pagamento é só no débito ou crédito. Não posso usar meus papéis de valor, que, venho notando, estão perdendo espaço no mundo atual. O dinheiro que eu empunhava ali na loja era um fóssil, como eu e meu jeitão vintage. Infeliz, meto meus fósseis na carteira novamente e pago na p* do débito.
Saio afoita da loja, pois ainda preciso comprar algumas coisinhas no mercado para o jantar. O jantar consistiria em pão com ovo e chá de hortelã, bon appetit pra mim e meu marido.




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